Enrico Hubaide
Aluno aprovado no concurso Sefaz AL
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Agendar conversa gratuitaFala, pessoal! É com imenso prazer que escrevo esse depoimento para vocês! Meu nome é Enrico, tenho 27 anos, moro em Belo Horizonte e sou formado em Engenharia Civil, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Após concluir o meu curso superior (com o qual eu não me identificava) e me deparar com um mercado de trabalho extremamente desaquecido, iniciei, em fevereiro de 2018, meus estudos para concursos. Depois de muito pesquisar, optei pela área fiscal, por possuir uma boa quantidade de certames, boas remunerações e ser uma carreira típica e essencial de Estado. Soma-se a esses fatores o fato de o meu pai, por quem nutro grande admiração, ser Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB).
Um grande acerto em minha trajetória foi começar os estudos, desde o primeiro dia, sob orientação de estudos da LS, por indicação de uma prima. Dessa forma, não cometi erros clássicos de concurseiros iniciantes, tais como estudar por materiais de baixa qualidade e acreditar em métodos/técnicas de estudos mirabolantes. A LS me ensinou a fazer o “feijão com arroz”, ou a trinca, que aprova: teoria, revisão e bastante questões. Com um planejamento já feito e recebido semanalmente, cabia a mim “apenas” sentar e estudar.
No entanto, cometi um erro bastante comum entre os concurseiros da área fiscal, qual seja: começar os estudos focado para a RFB, em detrimento da área fiscal como um todo. Porém, com a iminência de vários editais de fiscos estaduais, solicitei de pronto que o meu planejamento fosse alterado. Outro detalhe que cabe mencionar é que, durante o meu período como concurseiro, pude me dedicar integralmente aos estudos, pois a minha família apoiava totalmente o meu projeto, o qual eu encarava como se fosse um trabalho.
Feita essa introdução, passo a narrar como foi a minha maratona de provas e evoluções, para que sirva de motivação e estimule alguns “insights” para quem está lendo (esses depoimentos eram proveitosos para mim justamente por conta disso).
Pois bem, em setembro de 2018 foi publicado o tão aguardado edital da SEFAZ-SC. Eu sabia que ainda estava bastante imaturo (apenas 7 meses de estudo) para brigar por uma vaga nesse certame extremamente concorrido (talvez o mais difícil dos últimos anos). Além disso, grande parte do conteúdo era completamente novo para mim. Contudo, o Marcelo Greger, meu professor orientador à época, me encorajou a entrar no pós-edital e a fazer essa prova, para adquirir experiência.
Até novembro, que era a data da prova, acumulei algumas centenas de horas de estudo e consegui a amarga colocação de 635°. Meu desempenho foi de 73,6% e a nota de corte do certame, que contava com 57 vagas, foi de 84,6%. Fiquei triste? De forma alguma, muito pelo contrário. Foi uma bela experiência encarar uma prova tão complexa quanto essa e percebi que era difícil, mas plenamente possível, alavancar meu desempenho e chegar perto das vagas nos próximos concursos, se eu continuasse estudando sério.
Ao chegar em Belo Horizonte, descansei 3 dias e já entrei com tudo no pós-edital da SEFAZ-RS, cuja prova estava marcada para fevereiro de 2019. Quem já estuda há algum tempo sabe o quanto é sofrido estudar nessa época do ano (dezembro e janeiro), mas, com edital aberto, não tem o que fazer, é sentar e estudar. Mais algumas centenas de horas foram acumuladas e terminei o concurso na 271° colocação, com 76,9% de aproveitamento. O certame contava com 37 vagas e a nota de corte foi 82,3%. Percebam que, apesar de ainda distante das vagas, a evolução foi considerável em comparação com a SEFAZ-SC e isso me deixou bastante motivado.
Um conselho que dou é: faça provas, se puder, mesmo se ainda não estiver 100% preparado e não for o concurso dos seus sonhos. É incrível o quanto o estudo rende, pelo menos para mim, em um pós-edital. Ficar habituado a um ambiente de prova também julgo imprescindível.
Voltando à saga, após a SEFAZ-RS, aproveitei que não havia edital na praça para estudar em um ritmo mais leve e recuperar as energias. Isso durou apenas algumas semanas, pois, ao final de fevereiro, foi publicado o edital da SEFAZ-BA, na véspera do carnaval de 2019 (irônico, não?). Decidi aproveitar uns dias de carnaval e, logo depois, estudaria com tudo para essa prova, que seria ao final de maio. Sou completamente apaixonado pela Bahia e a lotação seria simplesmente em Salvador. Logo, motivação era o que não faltava para essa prova.
Agora, bem mais habituado ao ritmo de pós-edital, conseguia finalizar as metas em menos de uma semana. Com o tempo que sobrava, aproveitava para corrigir meus pontos fracos, ler bastante a literalidade das leis e fazer mais revisões e mais questões.
Estudei muito para essa prova, cheguei dominando a maioria dos macetes e “receitas de bolo” da FCC e consegui um desempenho ótimo de 89,8%, o que me colocou na 12ª colocação na prova objetiva, sendo que o concurso ofertava exatamente 12 vagas, para a área de administração tributária. Explodi de felicidade, era até difícil acreditar que eu tinha conseguido ficar dentro das vagas.
Porém, fui do céu ao inferno em um curto intervalo de tempo. A prova da SEFAZ-BA contava também com uma questão discursiva, a qual valia 40 pontos e a nota mínima exigida era de 24 pontos (60%). A referida questão possuía itens de cálculo de ICMS que totalizavam 20 pontos. Deixei de incluir uma parcela na base de cálculo do tributo e cheguei a valores levemente diferentes dos que constavam no padrão de resposta da banca. O examinador, inflexível, me deu um dolorido ZERO nesses itens. Resultado: fiquei com 20 pontos em 40 na discursiva (50%) e estava eliminado do concurso! Para piorar, o recurso interposto foi completamente indeferido pela banca, era oficial e definitiva a eliminação.
Nunca passou pela minha cabeça desistir, mas esse momento, sem sombra de dúvidas, foi o mais frustrante e difícil da minha trajetória. Eu até imaginava perder algumas colocações e terminar o concurso no cadastro de reserva (CR), devido aos erros cometidos na discursiva. No entanto, o cenário de ser eliminado, por não atingir a nota mínima, era inimaginável para mim.
A pancada foi forte, o sonho de morar em Salvador foi estilhaçado, fiquei alguns dias muito mal. Entretanto, o edital do ISS São José do Rio Preto (SJRP) já estava publicado e não havia tempo a perder, tive que juntar os cacos e seguir em frente.
Após a SEFAZ-BA, até suspendi minha matrícula da LS, tamanha confiança em uma possível aprovação. Com o edital do ISS SJRP publicado, decidi reativá-la, sob orientação de estudos do Bruno Machado, que hoje eu considero um amigo. Acompanhava o Brunão nas redes sociais e sempre achava interessantes seus palpites e análises. Ademais, ele tinha sido aprovado recentemente na SEFAZ-SC, então, eu achava que ele poderia acrescentar algo positivo em meus estudos.
E eu estava certo. Logo na primeira conversa ele me passou algumas técnicas que eu passei a usar, como fazer caderno de erros/bizus (ou “tapa buraco”) no word para as revisões finais. Coisa simples, mas que eu não fazia, e que aumentou ainda mais a qualidade do meu estudo. Com o passar do tempo vieram as análises de desempenho e elas eram realmente diferenciadas; técnicas e precisas.
O concurso para o fisco municipal de São José do Rio Preto era uma excelente oportunidade, seria realizado também pela FCC e ofertava 9 vagas, com provas marcadas para o final de outubro de 2019. Era o meu terceiro pós-edital focado na banca (SC, BA e SJRP), então o meu percentual de acertos já estava bastante elevado, mas também havia prova discursiva, que valia 50% da nota final.
A prova veio bem mais fácil do que o habitual. Errei apenas duas questões, de um total de 70, e terminei em oitavo lugar na objetiva, empatado com outras pessoas. A discursiva, entretanto, fez eu despencar para a 27ª colocação. Fiquei indignado, era mais uma vez a famigerada discursiva destruindo um sonho. Por sorte, o examinador havia me penalizado injustamente em um dos itens da questão. Com o recurso deferido, subi posições e terminei o concurso na 12ª colocação, bem próximo às vagas e com alguma chance de ser chamado futuramente. Ufa!
Algumas semanas depois da prova, em novembro, foram publicados os editais da SEFAZ-DF e da SEFAZ-AL, com provas em fevereiro de 2020, intervaladas por uma semana. Optei por prestar apenas Alagoas, pois havia mais vagas (48, no total) e o lugar me agrada mais. Não quis conciliar os dois certames, porque a minha chance de aprovação seria atenuada, em ambos. Logo, dei “all in” em Alagoas, era foco total nessa prova. Estava disposto a estudar ao máximo por mais um final de ano, pois no próximo verão eu poderia estar desfrutando das lindas praias alagoanas.
Foi extremamente intenso esse pós-edital, com direito a várias horas de estudo, inclusive no Natal e no Ano Novo e em suas respectivas vésperas. A prova não seria simples, a banca era CESPE, de certo e errado, e também tinha prova discursiva (meu carma até então). Saí da zona de conforto que a FCC me proporcionava, era muito mais desafiador fazer uma prova nesse novo modelo. Acrescentei mais uma ferramenta ao meu estudo: o ANKI, programa de memorização que vem se popularizando no mundo dos concursos. Se puderem, façam o teste, ele me ajudou demais.
A prova de Alagoas veio realmente pesada, tanto a objetiva quanto a discursiva. Lancei meu gabarito no site Olho na Vaga e vi que, surpreendentemente, eu ficaria dentro das vagas, considerando apenas a prova objetiva. Não me animei muito, pois a discursiva, que veio muito estranha, provavelmente me tiraria da briga. Dito e feito, foi publicado o resultado provisório e eu fiquei em 49° lugar (havia 48 vagas), é mole? Há um detalhe: o concurso de Alagoas não contava com cadastro de reserva, então eu estava provisoriamente eliminado do certame, por previsão expressa do edital.
Contudo, o jogo só termina quando acaba, certo? Bora para os recursos tentar melhorar essa nota da discursiva! Mas a coisa estava feia, não havia muita margem para pleitear pontos. Os candidatos que estavam na minha frente estavam com uma pontuação minimamente superior à minha, de modo que quaisquer centésimos acrescentados na nota final fossem decisivos. Recurso interposto, pandemia do coronavírus, concurso suspenso e uma longa e agoniante espera de alguns meses.
Eis que, ao final de maio, foi anunciado que seria publicado o resultado definitivo da prova discursiva. Ansiedade foi a mil! O resultado saiu no Diário Oficial de Alagoas, no dia 22 de maio de 2020, em ordem alfabética (créditos à querida CEBRASPE). Localizei meu nome e vi que minha nota tinha aumentado exatos 31 centésimos! Eu sabia que esse acréscimo era o suficiente para eu ultrapassar dois candidatos; não sabia, entretanto, se era o bastante para eu terminar o concurso dentro das vagas, pois os demais candidatos certamente também tinham entrado com recursos e poderiam aumentar suas notas.
Após alguns minutos de uma espera enlouquecedora, recebi uma planilha, por Whatsapp, com as notas finais de todos os candidatos, já calculadas e colocadas em ordem decrescente. Olhei meu nome e eu tinha terminado o concurso em 48° lugar! Última vaga. Mágico, surreal, inacreditável. Meu corpo tremia, eu chorava. E o pior é que eu não sabia se a planilha era 100% confiável e eu não tinha condições físicas e emocionais para refazê-la, naquele momento. Mas o resultado felizmente foi confirmado. Aí, meu amigo, nunca senti nada igual. Nunca vou esquecer o abraço que dei na minha mãe e o nosso choro de alegria. Valeu a pena cada segundo estudado, cada dor no pescoço e nas costas e cada noite mal dormida. Uma epopeia de aproximadamente 2 anos que com certeza eu enfrentaria de novo.
Gostaria de agradecer à minha família, em especial ao meu pai e à minha mãe, por todo apoio. Aos meus amigos, por compreenderem a ausência e por também me apoiarem. Ao Bruno Machado, ao Marcelo Greger, meus professores orientadores, e a toda equipe da LS. Aos professores que me ajudaram, em especial ao Dicler Ferreira, mestre das discursivas e dos recursos.
É isso, pessoal. Espero que tenham gostado e que esse depoimento tenha ajudado vocês de alguma forma. Desejo muito sucesso e aprovações a todos. Grande abraço!