Vinícius Peron
Aluno aprovado para o cargo de Auditor Fiscal do Estado de Santa Catarina (ICMS-SC)
Temos um convite para você!
Agende uma conversa gratuita com um professor orientador e conheça a nossa orientação de estudos + e-books.
Agendar conversa gratuitaAntes de iniciar meu depoimento, gostaria de dizer que um dos sonhos que tinha, além da aprovação, era poder ajudar de alguma forma as pessoas que estão nessa caminhada a superar uma série de dificuldades que vão muito além das impostas pela parte acadêmica da preparação para concursos de alto nível. Por isso, agradeço a oportunidade oferecida pelo @fabriciolsconcursos e a todos vocês que se dedicam a ler esse texto e que também fazem parte da realização desse sonho.
Meu nome é Vinícius Peron Fineto, tenho 28 anos, sou natural do Rio de Janeiro, formado em Ciências Navais e fui aprovado dentro das vagas no concurso para o cargo de Auditor Fiscal do Estado de Santa Catarina (ICMS-SC).
Optei por iniciar minha história a partir da decisão tomada no ano de 2015 em estudar para concursos da área fiscal, uma vez que os fatos anteriores a esse momento, mesmo que referentes a minha vida acadêmica e profissional, bem como os motivos que me levaram a tomar essa decisão tendem a pouco somar quando comparados às lições que tirei após o início da preparação.
Tomada a decisão, iniciei em 2016 a minha preparação para concursos da área fiscal. Ainda sem nenhuma maturidade e sem saber o que me esperava pela frente, optei por estudar por conta própria, montando meu próprio planejamento de estudos. Passei praticamente todo aquele ano estudando sozinho em uma biblioteca próxima de casa, assim que chegava do trabalho. Naquele momento, mesmo que estivesse me preparando de forma muito amadora, tive o primeiro contato com aquele que seria, até hoje, o maior obstáculo que aprendi a superar: a conciliação entre trabalho e estudo.
Desde aquela época, meu trabalho ocupa, em média, 12 horas úteis do meu dia, contando expediente e deslocamento aqui no Rio. Dentre as diversas formas de lidar com isso, optei por aquela que me deixaria com a consciência mais tranquila, ainda que soubesse do risco de estar postergando ou impossibilitando minha aprovação. Optei por me dedicar ao máximo aos dois, dentro das horas que cada um ocupava no meu dia. Talvez devido a um excesso de auto cobrança, percebi que seria impossível ir de encontro comigo mesmo e fazer as coisas pela metade, frustrando as expectativas que muitos tinham sobre mim.
Quando se opta a conduzir as coisas dessa forma, em um dia de apenas 24 horas, obviamente alguém sai perdendo. Durante esse período, não pude ser o melhor filho, o melhor namorado, o melhor neto, nem mesmo o melhor amigo, o que causava em mim um grande incômodo e sensação de estar escolhendo o caminho errado. Não fazia academia, não assistia séries e, embora tivesse meus momentos de distração, eles se reduziram ao mínimo. Passei a levar uma vida muito longe de ser empolgante e repleta de aventuras. Mas eu sabia que se conseguisse superar os primeiros meses daquele ciclo de atividades, em algum momento aquilo viraria rotina e até mesmo uma grande diversão. Tendo essa convicção, mantive meus estudos de forma ininterrupta daquela época até hoje, com variações de intensidade muito grandes, mas sem nunca me permitir parar.
Acontece que fui surpreendido pela segunda grande dificuldade desse período: estudar para concursos no momento da maior crise econômica, social e política da história do país. Durante o ano de 2016, lembro de inúmeras vezes abrir o computador e ler a notícia: “Governo planeja suspender concursos e postergar nomeações”. Chegou um momento que eu já não sabia o que responder às pessoas que tanto me perguntavam para qual concurso estava estudando. Na verdade, eu apenas estudava, sem ter no horizonte nenhum concurso atrativo dentro dos requisitos que eu estabeleci. Dos 3 anos de preparação, em pelo menos metade deles eu não realizei nenhum concurso. A falta de editais implicou diretamente na motivação e no ritmo de estudos. Ainda assim, eu sempre me neguei a desistir das minhas escolhas, mesmo sabendo que, por vezes, desistir também é um ato de grandeza. Nesse período aprendi que não precisamos estar sempre motivados. A disciplina existe justamente para te carregar quando a motivação não se faz mais presente.
Na virada para o ano de 2017, meu irmão prometeu que voltaria aos estudos comigo. Ele vinha de uma aprovação no concurso de Auditor de Tributos de Goiânia em janeiro de 2016, mas ainda sem expectativas de nomeação. Acabou sendo tomado pelo entusiasmo da aprovação e interrompeu os estudos em 2016. Talvez essa decisão dele em retomar os estudos seja a grande responsável por eu estar hoje aqui digitando esse texto. Ao longo do restante do depoimento, vocês entenderão o porquê.
Conversamos, então, que não daria mais para estudar de forma amadora, e decidimos utilizar o planejamento da já conhecida LS Concursos. Fizemos contato com nosso amigo Fabrício Massena e optamos por cumprir metas voltadas para o concurso da Receita Federal. Acontece que no ano de 2017, assim como em 2016, praticamente não abriram concursos da área fiscal, e as notícias indicavam uma onda de concursos da área de controle (Tribunais de Contas e Órgãos de Controle Interno).
No meio daquele ano, foi lançado o edital para Auditor do TCE-PE com 12 vagas imediatas. Eu me sentia extremamente motivado por estudar com um edital aberto e também pela grandeza do cargo. O planejamento pós-edital da LS era sensacional e foi ali que percebi a importância de fazer parte daquele grupo. Nunca realizei cursos presenciais e meus materiais sempre foram em PDF, indicados pela LS, utilizando muitas vezes o Google como fórum de dúvidas. Com pouco tempo disponível no dia e em virtude da necessidade de adaptar novas matérias ao planejamento, eu, meu irmão @renanfineto e meu outro grande irmão de alma @barretogm (a quem dedico também parte dessa aprovação) dividimos as tarefas. Cada um fazia resumos de uma parte da matéria para os outros utilizarem. Ali formava-se um grande time e nesse momento aprendi que, de fato, não se chega sozinho a lugar algum.
A partir desse concurso fui apresentado ao terceiro grande obstáculo, iniciando a minha jornada das “traves”. Em outubro foi divulgado o resultado do concurso de Auditor do TCE-PE: 24º colocado, ficando 12 posições abaixo das vagas imediatas, o que naquela prova representava menos de 2 questões Certo/Errado ou alguns pequenos erros nas questões discursivas. Por ter sido o primeiro concurso de alto nível prestado após fechar o ciclo básico de disciplinas e pelas mensagens de apoio que recebi, fiquei satisfeito com minha aprovação no Cadastro de Reservas um tanto quanto próxima das vagas imediatas.
Ainda tomado pelo entusiasmo desse resultado, prestei o concurso seguinte: Auditor do TCE-SP. Sem conseguir manter o mesmo foco do período de preparação para o TCE-PE por conta da ilusão de tranquilidade gerada, colhi mais uma batida na trave. Dessa vez um pouco mais distante das vagas imediatas, mas que ainda sim representava uma diferença de apenas 2 questões objetivas num universo de 80.
Não tive muito tempo para me lamentar. A onda da área de controle continuou e emendei mais um pós-edital. Dessa vez o concurso era de Auditor do Estado da SEFAZ-RS (CAGE) em março de 2018, com 5 vagas imediatas. Via aquele cargo como um cargo dos sonhos por uma série de fatores e, assim como no pós-edital do TCE-PE, estudava uma média de 6 horas durante a semana e 10h nos finais de semana, conciliando com o trabalho. Resultado: foram nomeados 15 candidatos da lista da ampla concorrência, mas eu fui o 17º. Mal saberia que a mesma cena se repetiria um pouco mais tarde, no concurso de Auditor do TCE-RS em agosto do mesmo ano, com 5 vagas imediatas e meu resultado 7º colocado.
Não quero parecer ingrato por esses resultados. Em todos eles, embora um pouco fora das vagas imediatas, sabia que a nomeação chegaria em algum momento, até mesmo pela quantidade de cargos vagos. Acontece que, nos tempos atuais, o Cadastro de Reservas deixou de ser uma garantia, pelo menos no curto prazo. A crise fiscal tem tornado o espaço de tempo entre nomeações cada vez maior, e eu tinha pressa.
Nesses momentos, entrava em cena um dos grandes responsáveis pela minha aprovação: meu irmão. Estudamos juntos no mesmo quarto ao longo de todos esses anos, dividimos materiais, angústias e bons momentos. Chegou uma fase em que eu dizia a ele que parecia que Deus não queria que aquilo acontecesse da forma como eu planejava. Tinha a impressão de que se um concurso tivesse “X” vagas, eu sempre seria o “X+5”. Em todas as vezes que bati na trave, ele me levantava. Quando eu pensava em parar, ele chegava em casa e falava: “já pedi a próxima meta. Vamos continuar”. Ele pode não saber, mas por muitas vezes a minha maior motivação em chegar exausto do trabalho e rapidamente tomar um banho e começar a estudar era vê-lo ali estudando.
Com as 4 traves na manga, estipulei um prazo para minha jornada. Chegava a hora de encerrar aquele ciclo e começar outros, a motivação já não era mais a mesma e o corpo dava sinais de cansaço após tantos pós-editais seguidos. Conversei com as pessoas mais próximas e decidi encerrar em 2018 meus estudos. A partir dali, ficaria esperando as próximas nomeações, muito embora dentro de mim eu soubesse que o objetivo inicial não era aquele.
No início dos estudos, sempre sonhei com concursos de alto nível. Sem dúvida alguma, o concurso do ICMS-SC era o sonho maior da grande parte dos candidatos que estudavam para área fiscal, e comigo não era diferente. Acontece que nós não temos controle sobre quais concursos abrirão na nossa fase de estudos. Nós não temos, mas Deus tem.
E assim aconteceu. Nos últimos meses de estudo, foi lançado o edital do tão sonhado ICMS-SC. O edital era gigantesco, mais de 12.000 candidatos disputavam as 60 vagas. Conversava com meu irmão que, depois de tantos anos, voltava a me sentir nervoso próximo a uma prova, assim como acontecia quando pequeno. No fundo, todo aquele nervosismo era porque eu sabia que aquela seria a minha grande oportunidade, e ela veio no momento certo. Depositei ali todas as minhas fichas, tirei de mim todas as forças no pós-edital e realizei as 3 baterias de provas mais difíceis da minha vida naquele final de semana. Assustava ver tantas pessoas preparadas estudando tantas horas por dia, outras voltando a estudar após anos, mesmo já estáveis em excelentes cargos. O nível de concorrência foi tão alto que a nota de corte beirava os 85% de acertos, contrariando a estimativa da maioria dos professores.
O capítulo final deste livro aconteceu no dia 04/01/2019. Dessa vez, não mais chegando perto, e sim dentro das vagas de um dos concursos com o qual eu sempre sonhei. A sensação ainda é indescritível e confesso que ainda não acredito que seja real.
Agradeço a Deus por todas as lições que tirei desse período. Ao meu irmão, por ser meu grande exemplo, companheiro de batalha e fonte de motivação. Aos meus pais e avós, pelo apoio incondicional, sem nunca me questionar nada ou reclamar pela minha ausência, e por me ensinarem desde cedo que o conhecimento é a única ponte entre você e o “impossível”. À minha noiva, por estar ao meu lado sempre incentivando, mesmo sabendo que por um tempo a nossa vida não seria a vida de um casal perfeito. Aos familiares e amigos, pela constante torcida e vibração com esse resultado. Agradeço ao amigo e professor orientador @fabriciolsconcursos pelas orientações, pela energia e entusiasmo com que conduz aqueles que te acompanham.
Hoje, sou grato também a todas as questões que faltaram para que tivesse dentro das vagas dos editais anteriores. Se as coisas tivessem dado “certo”, hoje eu não estaria aqui. Aprendi com isso a dar menos valor ao nosso imediatismo e a entender que os planos de Deus estão acima dos nossos, basta acreditar. O mundo conspira em favor daqueles que se esforçam.
Em síntese, ficaria satisfeito em saber que aqueles que leram esse depoimento levarão consigo as seguintes conclusões e conselhos sobre nossa árdua e gratificante caminhada, os quais eu gostaria de ter sabido desde o início do meu processo:
– Leia os textos “Os otimistas desistem primeiro” e “No meio do mar” do mestre @sameragi, os quais irei parafrasear em alguns momentos em virtude da grandeza do seu conteúdo;
– Seja você mesmo a sua maior fonte de inspiração. Mesmo que seja importante ter exemplos a seguir, jamais se diminua perante eles. O que acontece naquelas poucas horas de uma prova que decidem sua vida talvez esteja mais ligado à sua automotivação do que com o número de horas líquidas de estudo;
– Não coloque as condições da sua vida como desculpa para te impedir. Você pode e deve criar as suas próprias condições;
– Entenda que se você pretende ser diferente da massa da sociedade, você terá que fazer as coisas diferentes e em momentos diferentes da maioria. Não se importe tanto com os julgamentos e regras sociais. Escolha poucos e bons conselheiros, e fale sobre seus planos apenas para eles. Não existe receita de bolo para felicidade e todas as escolhas devem ser respeitadas;
– Sinta prazer na caminhada e não apenas no resultado, mesmo que durante a caminhada você fique longe de aproveitar a vida como se cada dia fosse o último;
– Tenha sede de vitória, tenha pressa, mas não estabeleça prazos para as coisas acontecerem. Principalmente no momento político e econômico que atravessa o país, o intervalo de tempo entre o início de sua preparação e a aprovação não ditam seu sucesso ou fracasso. Seja otimista, mas não deixe que o otimismo domine o realismo;
– Entenda que a regra do jogo é perder, e a exceção é a vitória. Jamais encare a derrota como fim de linha. Depois de muito pensar que as coisas estavam dando errado, hoje sou a prova de que quando tudo parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo;
– Entenda que a aprovação é uma combinação de competência e luz no momento de prova. Não desista se você é competente o seu dia ainda não chegou. Ele só chega para os que não desistem;
– Seja grato pelas suas derrotas e por todas as pessoas que te apoiam incondicionalmente. Ninguém alcança a vitória sem esses dois fatores;
– Se você se lançou ao mar para atravessar o oceano, não se dê por satisfeito com as pequenas ilhas que irão aparecer no caminho. No desespero do meio do mar, você jamais enxergará o continente e as pequenas ilhas irão parecer atrativas. Não se iluda. Mesmo que com braços fadigados, continue nadando na sua velocidade, mas nunca deixe de seguir em frente. Se não fizer isso por motivação, faça por disciplina e fé.
Sejam felizes e, em hipótese alguma, desistam daquilo que acreditam.
Abraços,
Vinícius.